Associação Desportiva Cultural e Recreativa Os Tricofaites

ADCR Os Tricofaites

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A NOSSA HISTÓRIA

Há uma boa macheia de anos, uma catrefada de gingões e teimosos marmanjos, decidiu por bem que, em vez de deambular de tasca em tasca, num circuito de treinamento procurando currículo para concorrer a adegueiro, (daqueles que adegam em proveito próprio), ou, como alternativa, ficar em casa resmungando com a prole ou fazer a cabeça em água à patroa, seria bem mais giro aproveitarem o fim-de-semana para se arregimentarem, cuidarem do físico e da forma, deixando a cultura da “linha embondeiro” e enveredar por actividades desportivas que o tempo constitui em saudade.

Então, começaram de jeito embrionário e lá desembocaram na formação dum grupo que, quanto mais não fosse, pudesse bater o pé e dar água pela barba aqueloutro ribeirinho, CAFÉ ZECA, repleto de manjericos ora escamadiços, ora mangazes.

A briga começava logo nos balneários!... Era preciso acomodar as barriganas dentro dos calções que, coitados, não tinham culpa nenhuma de não poderem dar guarida a potes enfolados!... e lá ficavam as bochechas pregueadas, mais o umbigo esticado, de fora do cós !...

E a questão alastrava para o singelo acto de calçar as botas!... Toleirões até dizer “chega”, apresentavam lustrosos espécimes do último modelo, (comprados um numero abaixo para parecerem elegantes), e todos se esgadanhavam para que o pé aceitasse a morada.

A camisola raramente conseguia cobrir todo o dorso, especialmente se o girácio gimborro tinha o peito um nadinha assim pró descaído !...

Quando entravam em campo, a esmo, mais pareciam aquelas madamas que, ao fim de 14 anos de emigração clandestina, arribam à santa tèrrinha encavalitadas nuns saltos do tamanho do Cabaceiro e que desafiam, a todo o momento, as leis do equilíbrio !

No entanto, logo que o arbitrador assinalava a abertura da contenda ... à caraguinho !... fuja mestre !... Era um verdadeiro festival !... Jogando com raça; correndo atinado, (ainda que resfolegando que nem locomotivas das berças); tratando a chicha como se fora poldra de colo; dizendo educadamente ao juiz que é um cegueta  ladrão; pontapeando simpaticamente o adversário no osso, (porque a bola já se tinha ido e não se podia perder a viagem); arrancando leivas em bem medidas biqueiradas, estropiando a casa de descuidada toupeira ... tudo era motivo para servir de falatório bem humorado ... e, tudo bem, até ao ano que vem !

Encerrada a justa, lavadas as tressuadas ilhargas, rumava-se para o messão e, então sim, era ali, no terreno da verdade, que se procedia ao desempate ... que, heroicamente, empate não tinha !...

Os galfarros não tinham dentes ::: eram autênticas trituradoras em operação contínua !...

Os canjirões nunca se orgulhavam de estar rasas e raramente serviam mais do que duas bocas secas !

Com a comezaina adiantada, entrava-se no ripanço e, como manda a sapatilha, de entre pernas saía a guitarra, pigarreava o cantante, gingava a audiência e o mais castiço faducho, baixo e tremidinho, botava sentimento nas avinhadas vozes ... Era a deixa para os espontâneos que, de copázio em riste e de gargalo alevantado, entravam na desgarrada !.

O sol escondia-se, muito para lá da alcáçova e a malta, bem gozada a jorna, rumava a penantes ...quiçá de camisa pingada, de mente turva, de olho remeloso e de joelho acurvilhado !...

“ASSIM NASCEU OS TRICOFAITES”

 

O NOSSO NOME

Motivado o pessoal para uma mais consistente participação, havia que deixar para trás a ideia dum grupelho descaracterizado e anónimo e, obviamente, dotá-lo de nome.

À época, sobretudo para a componente que era, simultaneamente, beberrona e gulosa, estava em voga uma mistura de cerveja branca, gasosa e vinho branco.

Era pouco cómodo estar, balde atrás de balde, a repetir a composição da beberragem – para além de atrasar a vida ao marreco que se afogava atrás do balcão, também não convinha aos sedentos beberricas !

E, num desarrincanço às três pancadas, achando-se o nome de “TRICOFAITES” como o adequado para a mistela, logo se transportou o inventado vocábulo para o catálogo desportivo.

E, assim entrou no léxico da Alta Lezíria, parida do acasalamento entre o calão e o dialecto, a palavra estabanada – TRICOFAITES – que iria designar a mais castiça Associação, balançando entre Amadores e Veteranos, que o sol saído alguma vez cobriu !

Nos dias que correm, ordeiros e bem arrimados conjurados, espalham pelos 4 cantos deste jardinzinho à beira-mar plantado, o perfume dum nome e a distinção dum comportamento que, dando a exemplo, serve de espelho a quantos têm o privilégio de com eles conviver.

 

 

O NOSSO OBJECTIVO

O Povo, na sua sábia ignorância, mesmo correndo por gosto, ainda que não canse, quer saber porque corre! E, porque assim era, havia que definir metas e destinos; ambições e desejos; patamares e afins. Reunido o sinédrio dos maiorais, logo ali ficou consignada a ideia de que haveria de lutar na defesa de um ideal – um ideal, só e apenas, conjugar os factores futebol, gastronomia, cultura e turismo, dum jeito tão sadio quanto apaixonado, pulvilhá-los com resmas de boa vontade, camaradagem e responsabilidade, tudo muito bem encadernado em tons de auri verde AMIZADE, TONELADAS DE AMIZADE, e ir por esse mundo fora, mostrar a indígenas e gentios, como se conquista um Estatuto de Grão-Mestre, entre quantos congéneres na praça pública se perfilem.

Jogar a saudade, sabendo não ser saudosista, cantar vitória, sem ser pavão deslavado, conviver com a derrota, não aceitando ser um derrotado, são prendas que cabem inteirinhas no perfil de um TRICOFAITE.

Saber estar em campo, garboso e perpendicular, sem deixar de ser lutador e desinibido, correndo, cantando e rindo, perante os desencontros com a caprichosa pelota, rilhando o dente, para cumprir, manja para injuriar são outros tantos atributos que não se pedem a um tricofaite – nasceram nele no dia da inscrição e nele se multiplicaram com o desfolhar do calendário.

Enveredando pelo lúdico despretensioso, ainda se consegue um complemento afadistado, saído do refogo dalgum refinado malandro com quebra para o requebro.

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