Saltar nos trampolins “não é um desporto fácil” - Gonçalo Faro

Gimno Clube de Santarém

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Jovem ginasta de Santarém é um dos 12 atletas ribatejanos a competir nos mundiais da Dinamarca durante esta semana

Piruetas e mortais a vários metros de altura são para Gonçalo Faro, de 15 anos, uma rotina diária na nave desportiva de Santarém, com treinos sete vezes por semana, incluindo sábados. Treina das 20h00 às 22h30, o que não deixa muito tempo livre para este jovem ginasta, que tenta ser “organizado para que o comboio da escola não ande para a frente e que o dos trampolins também não”. Dorme entre seis a sete horas por noite, já que chega sempre tarde a casa, após os treinos. Sai das aulas às 18h30, três vezes por semana, e só tem uma hora e meia para descansar ou estudar. “É um pouco complicado de gerir”, confessa.

O esforço tem valido a pena. Esta semana está em Odense, Dinamarca, a representar a selecção nacional na disciplina de trampolim sincronizado, no Campeonato do Mundo por Grupo de Idades. É um dos 12 ribatejanos em prova. “O meu objectivo é passar à final. Quero dar o meu melhor e divertir-me acima de tudo”, salienta.

Quando O MIRANTE lhe pergunta se tem coisas que gostaria de fazer e para as quais não tem tempo, o jovem responde “tantas”, ao mesmo tempo que sorri. A verdade é que apesar dos amigos se estarem a divertir nas horas em que está a treinar, não se importa, até porque gosta muito do que faz, tornando-se tudo mais fácil com o grande apoio dos pais e dos avós. Mas quando o tempo lhe permite gosta de andar de skate com os amigos.

O ginasta do Gimno Clube de Santarém frequenta o 10º ano na Escola Secundária Sá da Bandeira e quer seguir medicina desportiva. Um objectivo difícil, porque não está com a média que pretendia, mas acredita que vai conseguir. “Quero ser médico desportivo para não deixar de estar ligado ao desporto e fazer o que sempre quis”, refere. Experimentou a ginástica aos 12 anos, depois de praticar natação de competição, rubgy e atletismo.

No ginasta olímpico ribatejano Diogo Ganchinho o jovem encontrou um ídolo. “É uma inspiração brutal ver o que ele faz, sabendo que posso um dia lá chegar”, diz, acrescentando que o treinador Fernando é outra inspiração essencial. “Ele mostra-me o caminho que devo seguir e o porquê de o seguir”, afirma.

Fernando Gaspar, treinador do ginasta, salienta que “o Gonçalo é um caso de sucesso” e que desde que começou os primeiros treinos o surpreendeu. “Quando olhámos para ele, dizíamos que não era um ginasta, mas depois mostrou-nos tudo o que nos tem mostrado”, disse, referindo ainda que o principal factor de sucesso na modalidade é o trabalho e a repetição.

O risco de lesões e a força mental

Gonçalo também concorda, pois os trampolins exigem “muita dedicação e trabalho mental”, aconselhando que é necessário gostar muito desta área para quem queira competir. “Não é um desporto fácil”, confessa, pois “90% dos trampolins é mental, para que consigamos lidar com o stress de estarmos a quatro metros de altura e podermos cair”, afirma.

A verdade é que os riscos são muitos e o jovem já sofreu algumas quedas. Há dois anos faltou-lhe a força nas pernas enquanto saltava, caiu de costas e bateu com os joelhos na boca. Ainda hoje tem de fazer reconstruções, porque partiu dois dentes. “Já fiz lesões no joelho e sinto dores de costas, mas estas já passam ao lado”, confessa.

Todo o sucesso que tem atingido se deve à oportunidade de treinar “num dos melhores ginásios do país”. Gonçalo salienta mesmo que o Gimno Clube de Santarém dispõe de “condições brutais, com cerca de dez trampolins e bons treinadores”. Estas condições aliadas a muito trabalho têm levado o atleta a saltar longe.

O ano passado participou nos Mundiais por idades nos Estados Unidos da América, experiência que diz ter sido a melhor sensação da sua vida. “Poder subir a um trampolim num pavilhão gigante cheio de pessoas, a simbolizar o nosso país, fez-me sentir muito concretizado”, recorda. E este ano voltou a competir nos Mundiais em Odense. Gonçalo ambiciona mesmo chegar aos jogos olímpicos, um sonho que diz ser “muito difícil” de concretizar. Mas “nunca se sabe, porque talvez até consiga”, conclui com optimismo.

                                                                                                             Fonte : O Mirante

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